Escrevendo



Meus projetos:

As ideias vêm de uma forma que mal posso me conter, sinto o desejo de escrever mil e uma coisa ao mesmo tempo, e acato quando consigo, pois esta é a ordem de algo invisível, que mora em um local inimaginável, e eu chamo por Deus. Quando escrevo, estou em oração, em agradecimento e em tudo que preciso fazer sem sair do meu local preferido - minha escrivaninha. Então vamos ao livro...

O primeiro, e o que mexo mais, talvez por ele se tratar de mitologia, e eu amo mitologia...



ALEC, anjos não morrem

Bem, esta obra ainda não tem sinopse, mas posso dizer que estou apaixonada por ela. O projeto de pesquisa e estudo está indo bem. Escrevi poucas páginas, mas estou satisfeita com o que ando aprontando, enfim... ele trata de mitologia judaica, e tudo começou por causa de um ser que chama: Dybbek, que é um espírito danificado que prende almas bondosas para atingir sua estabilidade. É demônio, para ser mais clara. Essa persona não é a mais importante do livro, mas tem uma participação bem legal, logo que li algo sobre ela fiquei perplexa e sem dormir. O livro vai correr em duas dimensões, uma será o purgatório, e a outra, os tempos atuais. Não é segredo nenhum, que o livro começa com a "morte" de ALEC, pois ele precisará voltar para resgatar a alma do tempo, e aqui se encontrará os segredos da obra. 
Alec é um moçoilo desajustado, usuário de álcool e drogas, metaleiro e nunca deu tanto valor a própria vida, sem dizer que se arrastava por causa da pop star Penina, ao mesmo tempo que vivia uma história secreta e ordinária com seus melhores amigos, Zion (sua melhor amiga e apaixonada por ele o.O ) e Asher (seu amigo confidente, apaixonado por ele :’(  ). Sim, isso mesmo, ele era um crápula cheia de más intenções, porém.... Tinha algumas qualidades que somente o leitor e seus amigos irão conhecer, além do Criador e Metraton. E é justamente por isso que ele recebe uma segunda chance para fazer tudo novamente, mas de um outro modo - reviverá seus piores e melhores momentos dentro do seu subconsciente com finalidade de fazer reparações.



"Anjos não morrem é um romance sobrenatural inspirado nas músicas de Renato Russo.
Alec é um carinha rebelde, cantor de punk rock que não sabia amar e não tinha consideração pelas pessoas. Sempre desprezou ou fingiu não notar o amor de sua melhor amiga, Zion, e a paixão platônica de seu parceiro de banda, Asher, mas babava pela mega pop Penina que o desprezava. Uma tragédia acontece, e Alec se vê obrigado a sentir o que jamais havia percebido, porém, a realidade é dura para todos, e nem só de sombras ou rock vivem os loucos anjos heardcores. As descobertas podem ofuscar sua visão quando s perceber dividido entre a menina mais punk de sua vida, e o amigo mais leal de todo o mundo power."





PRÓLOGO

“E há tempos o encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços a quem procura abrigo e proteção” - Legião Urbana



Era como se fosse um sonho.
Eu sabia que estava deitado ali, no mesmo lugar que estive pela última vez que consigo me lembrar... Mas agora tudo era... sombrio e distante. As lembranças passaram a ser apenas peças de um quebra-cabeça que eu estava com preguiça de montar. Queria só esperar pelas respostas que viriam naturalmente de algum lugar o qual eu não precisaria mais esconder meu rosto por medo de me olhar por dentro. Lá dentro... Conhecer a verdade que reside no fundo do mais intenso e misterioso ser existente em meu Alec, o cara que não quis amar como podia, mas dizia amar alguém que lhe trouxe a definição do que imaginava ser o amor.
 Eu morava em qualquer canto, pois sabia que não havia ninguém para me esperar... Agora muito menos... Estou à deriva do que achei que sabia, mas que não me serve para nada nesse momento, onde a verdade escapuliu pelo frio do esgoto de onde vim - o mais fétido e grosseiro modo de viver. Escolhi o inferno, porque lá é meu lugar.
 Ela é a fada dark mais linda de toda a Terra, mas naquele momento não recordava de seus traços, nem dos meus antigos sonhos, se é que um dia eu os tive. Seu era nome Penina, e isso era tudo que eu lembrava. Eu também sabia que ela era cruel e me fazia rastejar por quarteirões, mulher alguma faria isso tão bem. Mas havia algo errado... Um amor tão perfeito não poderia ser feito de solidão que esgana e mata qualquer esperança que está enterrada em algum lugar em mim, mesmo quando não sinto. Sinto falta de mim mesmo toda vez que penso em algum modo de roubá-la do mundo. Isso é tudo que eu sei fazer. Eu desperdiço meu tempo pensando nela... Ela só existe em seu mundo montado, onde não há espaço para minha insatisfação momentânea. Eu só queria me esconder, até que passe essa sensação estranha de que meu tempo está se acabando na ampulheta.
Penina não fazia parte do meu mundo. E muito menos agora, que nem mesmo sei se faço parte de algum lugar. Por ela, eu só daria minha vida, que era uma bela porcaria, mas que poderia ter jeito, se a ordinária me quisesse. Mas jamais daria meu violão, nem meu último baseado em troca de seus olhos voltados a minha direção. O resto, ela podia levar.
Talvez essa mina não entendesse nada do que eu tento falar durante aquelas curtas noites que passamos juntos. Ela é diferente, há em si uma força bruta que me hipnotiza desde o dia em que ficamos juntos pela primeira vez. Logo eu que pegava todas, e as esquecia no dia seguinte como se fossem um breve sopro em meu rosto. Mas com Penina foi diferente...  Eu não queria admitir esse desastre, mas é certo que a menina fez exatamente comigo, o que planejei em fazer com ela após cada um seguir  seu caminho. Eu a respeito, a menina de nariz arrebitado sabe como tratar homens como eu, ou melhor, sabe como fazer com meus olhos fiquem cegos a ponto de... não conseguir perceber o que aconteceu comigo...
Tarde demais para voltar atrás. Eu nem sei voltar. Sei apenas que todas as vezes que piso na bola, sou remetido de volta para a terra sem dono, cheia de lodo, gritos, uivos, gemidos, olhos me espreitando de algum lugar... Era um local completamente gélido e distante de qualquer outra realidade. Aqui não tem essa de você perguntar onde fica a rua tal, meu irmão... Se você se perder, é normal! Todo mundo já chega aqui um pouco perdido... E não precisa ter pressa, pois pode ficar pior, caso você desista de se esforçar para melhorar. Sem dizer que não tem sequer um boteco para algum cigarrinho... Não têm os manos das ruelas e quebradas escuras com a encomenda nas mãos, só esperando a nota de cem chegar para eles dispensarem a parada, se é que você me entende... Acabou, brother! Final da linha. Prisão perpétua. Malandro aqui não corre, só geme.
Como flashes que vão e voltam, me lembro infinitamente daquele dia, que neste exato momento só queria esquecer... Eu não posso perder meu tempo, mas ele passa por mim como se precisasse ir para algum lugar, me deixando aqui, na mesma posição – com o corpo estendido na calçada em frente do Hangar Live Music. Eu sabia que estava em minha cidade, mas não sabia qual era o dia da semana ou do mês, no entanto sentia o sangue escorrer por entre meus dedos que pousavam serenos sob o peito. O rosto sem expressão, pálido, sem vida. Eu sou muito novo para morrer.
Com os olhos ainda fechados, sinto os derradeiros galopes do coração, ouço o solo da guitarra de Asher, ele a faz chorar sem perceber.  Como é bom morrer ouvindo Led Zeppelin, Stairway to Heaven... Ninguém deveria se esquecer de seus últimos instantes de vida... Eles são insolúveis.
Asher, meu único e verdadeiro amigo, seguraria em minha mão até este pesadelo passar. Eu sei que estaria aqui, se soubesse. Não me deixaria ir, pois é o ser mais próximo do céu que conheço. Leal como um cão. Não consigo me recordar agora de seu rosto. Por mais que eu tente, acabei por desistir. Ele chora neste momento, posso sentir no solo de sua guitarra. É sua despedida anônima, mesmo sem saber que aqui quase jaz um amigo. Posso ouvir agora, algumas vozes ao meu redor enquanto me reviro por dentro para poder me levantar. Tentativa inútil, não consigo me mover. É como se o cérebro fosse junto com o pensamento, e o corpo ficasse preso a algo que não me deixava mais ter o controlo sobre ele. Nem um músculo sequer movia. Poderia chover canivetes agora, eu nada sentia... É como se eu vegetasse ao som de vozes que diziam meu nome num alarmado tom que me fazia sentir pena de mim mesmo, porém não conseguia identificar ninguém. Como num pesadelo, eu vagava dentro do mais escuro de meu ser.
Existe o amanhã? Hoje é o amanhã?
Tudo foi se apagando aos poucos...

A voz de Zion, eu a ouço quase vagamente, mas não me recordo de seu rosto nem mesmo da cor de seus olhos, apenas que ela sempre esteve ali. Existia na voz, um lamento quase confortante para minha alma que não tinha mais nada. Eu sinto seu toque em minhas mãos, colocando algo que não sei identificar. Tento apertar meus dedos, mas não há forças, então percebo o frio do crucifixo de metal, e tudo fica cada vez mais longe.

“O que faz aqui, Zion?” – eu queria perguntar.
Ainda consegui ouvir antes de tudo se tornar deserto: 
“Eu te amo.” – disse Zion.
“Não me ame, Zion. Nunca mais diga isso! Nunca mais... Nunca.” – eu queria dizer, mas não saía uma só letra de minhas palavras; uma palavra de minha voz. Eu estava completamente imóvel e sentia o vento... O vento lá fora, como dizia Renato Russo. 
Foi a última lembrança que consegui prender em minha mente. Tudo ficou em silêncio. Tudo foi desaparecendo.
Ei, que porra é essa? Alguém traz meu violão para que eu esteja em paz?
Apagaram as luzes e ouvi gritos antes de mergulhar no breu. Os gritos de dor, medo e horror chamavam por meu nome. Por um lado, gritos de quem me amava e eu não sabia que era tanto assim. Por outro, a escuridão sem fim se aproximava cada vez mais, não havia volta, por mais que eu tentasse, fui tragado para um abismo inviolável.


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